Cúpula OCX: Oposição ao G7 e “guerra na Ucrânia próxima ao fim”

A Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) marcou o cenário internacional no início de setembro de 2026, consolidando os 25 anos de história do bloco. Em meio a debates cruciais sobre a segurança euro-asiática, o encontro colocou em pauta a busca por uma nova ordem multipolar, a contraposição à influência do G7 e as perspectivas de resolução para o conflito na Ucrânia.

GEOPOLITICA

Gustavo Henrique Berri

9/24/20263 min read

Imagem por Flickr.com

Palavras-chave: OCX; Geopolítica; G7; Multilateralismo; Comércio Internacional; Guerra da Ucrânia

  A recente reunião da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) mostrou como países do Oriente estão se unindo cada vez mais fora da influência ocidental. Este texto analisa o impacto desse encontro bilionário e os reflexos dos debates na política mundial.
 
  Fundada em 2001, a Organização para Cooperação de Xangai nasceu para fazer frente ao Grupo dos Sete (G7), o clube das principais potências econômicas do Ocidente. Em sua origem, contou com a participação de seis Estados-membros: China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. Ao longo de suas duas décadas e meia de existência, o bloco expandiu sua relevância geopolítica, transformando-se em um pilar central para a articulação política e econômica na Eurásia.

  Entre os principais objetivos da OCX, destaca-se promover a união entre os países membros em áreas como comércio, energia, transporte e proteção ambiental. Na prática, os líderes que fazem parte da organização buscam criar um contrapeso ao poder tradicional dos Estados Unidos e da Europa, defendendo que o mundo tenha regras mais equilibradas e divididas entre várias potências.

 Na edição comemorativa de seus 25 anos em 2026, a pauta de segurança esteve no centro das negociações, com destaque para os reflexos da guerra na Ucrânia. Líderes de peso global presentes no evento, como o presidente chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin, discutiram caminhos diplomáticos para mitigar a crise energética e alimentar global decorrente do conflito.

  Durante as discussões, Vladimir Putin afirmou que a guerra na Ucrânia está "próxima do fim", sustentando a perspectiva de novos desdobramentos nas mesas de negociação. O bloco posicionou-se como um espaço de diálogo imune às pressões de sanções ocidentais aplicadas por potências como os Estados Unidos. Nesse sentido, a cúpula serviu como um contraponto direto às diretrizes econômicas e políticas associadas ao G7, criticando medidas protecionistas e o uso do dólar como arma geopolítica.

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping. | Crédito: Kristina Solovyova / POOL / AFP

  A cúpula avançou em discussões práticas sobre a chamada "desdolarização" da economia regional. Membros como China, Rússia e Irã formalizaram acordos para ampliar o comércio utilizando moedas locais, buscando reduzir a dependência do dólar e de sistemas financeiros controlados pelo Ocidente. Essa estratégia financeira busca blindar o bloco contra instabilidades externas e criar canais independentes de pagamento e investimentos em infraestrutura.

  Paralelamente, o encontro debateu a expansão da influência do bloco por meio de parceiros de diálogo e países observadores, a exemplo da Turquia - conforme apontado por diretrizes de seu Ministério das Relações Exteriores -, que busca estreitar laços comerciais e energéticos com a Eurásia. A articulação de corredores de transporte alternativos, como o Corredor Internacional de Transporte Norte-Sul, ilustra o esforço prático da OCX para blindar suas economias contra instabilidades globais e desviar fluxos comerciais das rotas tradicionais controladas pelo Ocidente.

  A Cúpula da OCX reflete o avanço consolidado do multilateralismo euro-asiático em um momento de transição e incerteza no cenário internacional. Ao celebrar seu 25º aniversário, o bloco demonstra resiliência institucional e capacidade de atrair atenção global para suas pautas de segurança e desenvolvimento econômico.

  Os próximos capítulos dessa relação exigem atenção, pois escancaram a divisão entre o bloco ocidental e o eixo oriental, redefinindo o comércio e a política global para os próximos anos.

POR: Gustavo Henrique Berri

Graduando em Comércio Exterior pela UNIVILLE
Redator de Geopolítica do Observatório de Relações Internacionais.

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